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Debate na Globo: o que Lula e Flávio Bolsonaro disseram no último encontro antes do 2º turno

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Arte com o texto: último debate do 2º turno, o que cada candidato disse
Arte: Dois Lados da Política · Imagem própria

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram na noite de sexta-feira (23/10) no último debate antes do 2º turno, na TV Globo, com mediação de César Tralli. Em quase duas horas e meia, os dois discutiram dívidas das famílias, salário mínimo, apostas online e segurança pública, e trocaram acusações pessoais. A votação é neste domingo (25/10).

No 1º turno, segundo o TSE, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%.

Como foi o debate

O debate teve quatro blocos. No primeiro, as perguntas eram sobre as cinco regiões do país; no segundo e no terceiro, cada candidato escolhia temas para perguntar ao adversário; no quarto, o tema era livre. A emissora não fez checagem de fatos ao vivo durante a transmissão.

Segundo a Exame e o Metrópoles, os blocos com regras mais rígidas tiveram mais espaço para propostas, e as acusações de corrupção ficaram concentradas no tema livre.

Tema a tema

Dívidas das famílias

Flávio Bolsonaro prometeu usar a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas de brasileiros inadimplentes e atribuiu o endividamento aos juros altos e aos gastos do governo. “Você prometeu devolver o poder de compra para o brasileiro e não entregou, está entregando dívida”, disse.

Lula disse que a proposta repete uma medida já enviada por seu governo: “Quando ele fala que vai comprar a dívida, está copiando uma coisa que já mandei ao Senado”. Ele citou o Desenrola 3 e afirmou que o leilão de dívidas “pode chegar a R$ 150 bilhões”.

Salário mínimo e poder de compra

Lula afirmou que o piso nacional seria de R$ 900 em São Paulo sem os reajustes dados nos governos do PT, e criticou as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, que, segundo ele, não deram aumento real. Prometeu manter a política de valorização do mínimo.

Flávio Bolsonaro disse que o poder de compra caiu e perguntou quando Lula esteve pela última vez em um supermercado. Prometeu reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação e cortar gastos com corrupção, burocracia e impostos.

Apostas online (“tigrinho”)

Flávio Bolsonaro chamou Lula de “pai do tigrinho”, em referência à regulamentação das apostas esportivas e dos cassinos online.

Lula respondeu que o jogo chegou ao país no governo Bolsonaro: “Não só o seu pai é o pai do tigrinho, como você é o irmão”. Ele também defendeu o combate às bets, que, segundo ele, prejudicam as famílias.

Segurança pública

Lula questionou a atuação de Flávio na defesa de um policial acusado pela morte de Ana Clara, de 5 anos, atingida por um tiro em uma operação policial em Niterói (RJ), em 2021: “o que leva um senador a defender um policial que deu um tiro em uma menina de 5 anos?”. Prometeu criar um ministério para combater o crime organizado se a PEC da Segurança for aprovada.

Flávio Bolsonaro prestou solidariedade à família da menina, associou a violência ao tráfico de drogas e acusou o governo de não combater as facções. Prometeu classificar as milícias como organizações narcoterroristas e retomar territórios dominados pelo crime.

Programas sociais e saúde

Flávio Bolsonaro prometeu reajustar o Bolsa Família e permitir que o beneficiário continue recebendo por um tempo depois de conseguir emprego com carteira assinada. Também prometeu atualizar a tabela do SUS, que serve de base para pagar procedimentos na rede pública.

Lula lembrou que Flávio já chamou o Bolsa Família de “bolsa farelo” e responsabilizou o governo Bolsonaro pelas mortes na pandemia, dizendo que o SUS evitou mais óbitos. Prometeu ampliar os programas de renegociação de dívidas.

Momentos de tensão

O momento mais comentado foi quando Flávio disse que Lula “dá com uma mão e tira com os nove dedos”. Lula respondeu que não permitiria “que um miliciano me chame de nove dedos”. Depois, Flávio pediu desculpas pela expressão. No fim do debate, Lula pediu desculpas pelo tom do confronto.

No bloco de tema livre, os dois trocaram acusações sobre o caso do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro.

O que dizem as checagens

A Agência Lupa verificou 43 declarações: 16 de Lula e 27 de Flávio. Lula teve 8 classificadas como verdadeiras e 2 como falsas; Flávio, 5 verdadeiras e 6 falsas. As demais receberam rótulos como “exagerado”, “falta contexto” ou “insustentável”. Dois exemplos em que os dois candidatos falaram do mesmo assunto:

  • Apostas online: as duas versões foram classificadas como falsas. As apostas de quota fixa foram legalizadas em 2018, no governo Temer (Lei 13.756/2018); o governo Bolsonaro não as regulamentou; a regulamentação veio em 2023, no governo Lula (Lei 14.790/2023).
  • Obras paradas: Lula disse ter herdado “6.000 obras paradas”, o que a Lupa classificou como subestimado: o painel do TCU apontava 8,6 mil em agosto de 2022. Flávio citou “mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo”, o que recebeu falta contexto: o número do TCU (11.944, em 2024) inclui obras financiadas por todos os governos, e o painel de abril de 2026 registrava 4.215.

A lista completa, com a explicação de cada classificação, está no link da Lupa nas fontes abaixo.

As considerações finais

Lula disse que o domingo “será decisivo” e que a eleição vai definir o futuro da democracia: “Ou a gente mantém a democracia funcionando ou a gente vai ter um miliciano governando este país”.

Flávio Bolsonaro negou ter sido investigado por ligação com milícias e prometeu combatê-las. Apresentou compromissos como recuperar o poder de compra e defender a liberdade.

O resultado oficial do 2º turno será divulgado pelo TSE a partir das 17h de domingo. Você pode acompanhar a apuração estado por estado no nosso mapa da apuração ao vivo.

Fontes